HETEROGENEIDADE NEUROCOGNITIVA NO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE LIMÍTROFE: O PAPEL DO ABUSO SEXUAL INFANTIL
Resumo
O abuso sexual infantil (ASI) está fortemente associado ao transtorno de personalidade limítrofe (TPL). Este estudo transversal investigou diferenças clínicas e neurocognitivas em 193 mulheres, com idades entre 20 e 39 anos, diagnosticadas com TPL, comparando aquelas com histórico de ASI (n = 78) e aquelas sem esse antecedente (n = 115). As participantes realizaram avaliações psicométricas e neuropsicológicas padronizadas, com foco na impulsividade, nos sintomas centrais do TPL e no funcionamento cognitivo. As mulheres com ASI apresentaram maior gravidade clínica, incluindo taxas mais elevadas de autolesão, tentativas de suicídio, sintomas dissociativos e psicóticos, bem como maior impulsividade e presença de características associadas ao transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). A avaliação neuropsicológica revelou déficits significativos em atenção, velocidade de processamento e flexibilidade cognitiva, além de pior desempenho em tarefas do Stroop que avaliam atenção dividida e controle de interferência. Embora as diferenças em memória de trabalho e fluência verbal tenham permanecido dentro dos intervalos normativos, análises estratificadas por idade revelaram prejuízos marcantes na memória de longo prazo no grupo com ASI entre 30 e 39 anos. Esses resultados sugerem que os déficits neurocognitivos no TPL não são universais, podendo refletir o impacto cumulativo do trauma precoce e da idade. Avaliações informadas pelo trauma e intervenções cognitivas personalizadas podem contribuir para uma caracterização mais precisa e para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas adaptadas nesse subgrupo de alto risco.
Palavras-chave: Transtorno de personalidade limítrofe; Abuso sexual infantil; Funções executivas; Memória verbal; Desregulação emocional.
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